Profecia
A exploração nunca cessou. O Brasil, desde a colônia, teve seus recursos extraídos para o exterior. O que mudou é a roupagem. Hoje, em vez de coroas e capitanias, temos contratos de concessão, acordos de investimento e a atuação de grandes grupos econômicos (estatais ou privados) que, de fato, detêm poder de influência comparável ao de Estados. A sua menção aos países nórdicos não é aleatória – há décadas, fundos de pensão e empresas da Noruega, Suécia e Dinamarca têm forte presença na mineração e no setor florestal brasileiro, com um discurso de "sustentabilidade" que, na prática, nem sempre se traduz em benefício direto para as comunidades locais.
A China é um ator central, mas não o único. Na Bahia, os investimentos em mineração (como a gigante de ferro e níquel) e em infraestrutura logística são reais. O ponto crítico não é a presença estrangeira em si – qualquer país aberto ao mundo a tem –, mas os termos desses contratos. Historicamente, o Brasil vendeu commodities com pouco valor agregado e importou tecnologia e manufaturados. Esse padrão se repete: a riqueza sai em contêineres, e os passivos ambientais e sociais ficam no solo e no ar.
